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Um fio ao longo da viagem

Paulo orou três vezes, e a resposta foi não

A resposta mais lembrada ao pedido de Paulo transforma a fraqueza em lugar de dependência da graça. O espinho permanece sem nome nas Escrituras, e a leitura honesta preserva essa incerteza; o texto oferece uma teologia de fraqueza irremovível.

Pergunta do leitor

Qual foi o espinho na carne de Paulo?

Ninguém sabe; as Escrituras não nomeiam o espinho. Paulo descreve uma aflição persistente e hostil e relata ter pedido três vezes que ela fosse removida. As hipóteses incluem doenças oculares, enfermidades crónicas e perseguições implacáveis. O texto não oferece diagnóstico e concentra-se na suficiência da graça na fraqueza.

Porque ele contou a história

Paulo não apresentou o seu espinho num momento de silêncio. Missionários rivais em Corinto ostentavam visões e vitórias, e ele trata-os ironicamente como apóstolos superiores. Forçado a responder, Paulo enumera o que o seu ministério lhe trouxe: espancamentos, naufrágios, rios, ladrões, noites sem dormir e o peso diário das igrejas (2 Coríntios 11:23–28). Depois, chega à credencial mais estranha: uma experiência inefável do céu e uma limitação que o impediria de se exaltar.

O espinho

Ele recebeu revelações excecionais o suficiente, diz ele, para tornar um homem insuportável — e algo mais foi dado com elas:

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2 Coríntios 12:7–8 · BPT

Cada palavra é um peso e nenhuma é um diagnóstico. Um espinho – a palavra pode significar uma estaca – na carne. Um mensageiro de Satanás, dentro de uma carta onde as palavras passivas de Paulo geralmente apontam silenciosamente para a permissão de Deus. Atormentado por isso, ele fez o que os sofredores fazem: orou repetidamente.

Paulo situa a visão por trás do espinho cerca de catorze anos antes (2 Coríntios 12:2), o que, contado a partir de uma carta de meados dos anos 50, aponta aproximadamente para o início dos anos 40. A passagem não diz onde a visão ocorreu, quando o espinho começou, quanto tempo durou nem se Paulo havia falado de qualquer uma dessas experiências antes dessa carta. Portanto, o marco temporal não pode situar a experiência com segurança na Cilícia nem transformar um período não registado numa biografia conhecida.

A resposta

O terceiro pedido recebeu uma resposta – mas não a que ele esperava:

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2 Coríntios 12:9 · BPT

A oração foi atendida e o espinho permaneceu. A resposta de Paulo é o ponto central de toda a passagem: ele para de negociar com a fraqueza e começa a gabar-se dela, porque ela se tornou o lugar onde um poder que não era o seu repousava visivelmente sobre ele.

As suposições e porque o silêncio pode ser o ponto

Ao longo dos séculos, os intérpretes propuseram doença ocular, malária ou outra enfermidade recorrente, epilepsia, problema de fala ou perseguição implacável. Cada hipótese apoia-se numa pista textual, e nenhuma pode ser estabelecida com base nas evidências que restam.

O silêncio pode não ser uma lacuna no registo; pode ser o próprio ponto. Um espinho sem nome pertence a todo leitor que o carrega. Qualquer que seja o nome do seu espinho, a resposta chega sem edição: graça suficiente, poder aperfeiçoado na fraqueza.

Um padrão, não um episódio

O espinho é um capítulo de uma teologia que Paulo continuava a reafirmar. A imagem do tesouro em recipientes frágeis aponta para um poder que não vem do mensageiro (2 Coríntios 4:7). Gálatas associa a primeira pregação de Paulo entre eles a uma enfermidade (Gálatas 4:13). Na leitura tradicional de 2 Timóteo, cuja autoria direta e cenário final permanecem debatidos, o remetente preso relata abandono humano na primeira defesa e fortalecimento recebido do Senhor (2 Timóteo 4:16–17). A força aparece dentro da fraqueza, não no seu lugar.

Caminhe você mesmo

Entre na Macedónia, onde 2 Coríntios foi escrito — a carta que trata do espinho. Os pregadores rivais, o conforto trazido por Tito e a reflexão sobre a suficiência da graça são encenados ali; o catálogo de dificuldades acompanha Paulo em tudo o que se segue.

Perguntas frequentes

O espinho de Paulo era uma doença física?

Possivelmente — a leitura sobre problemas oculares baseia-se na observação de Paulo de que os gálatas lhe teriam dado os próprios olhos, e a doença crónica tem sido proposta há séculos. O mesmo vale para perseguição e oposição. As Escrituras nunca dizem, e cada proposta tenta preencher um silêncio que o apóstolo escolheu manter.

Deus recusou a oração de Paulo?

O espinho permaneceu, então o pedido não foi atendido como Paulo desejava. O texto, porém, apresenta uma resposta: a graça basta e o poder manifesta-se na fraqueza. Depois de três pedidos, Paulo passa a receber a fraqueza como lugar de dependência, não como motivo de desespero.

O que significa a descrição de uma aflição como mensageiro de Satanás?

É a expressão do próprio Paulo para o espinho e está na mesma frase que diz que o espinho o impediu de se exaltar. Tormento e propósito ocupam um versículo. Os intérpretes divergem sobre como se relacionam, e o texto não resolve essa divergência.

Bibliografia e fontes

  1. De Romanos a Filémon, BPT. Citações da Bíblia extraídas de a BÍBLIA para todos, Tradução Interconfessional. Copyright © 1993, 2009 Sociedade Bíblica de Portugal. Usado com permissão. As passagens aparecem aqui apenas por referência. Ver fonte
  2. Reconstrução do projeto em 67 entradas, cruzando Atos e as cartas e identificando explicitamente as datas debatidas.
  3. Atos 7–28, BPT. Citações da Bíblia extraídas de a BÍBLIA para todos, Tradução Interconfessional. Copyright © 1993, 2009 Sociedade Bíblica de Portugal. Usado com permissão. As passagens aparecem aqui apenas por referência. Ver fonte
  4. Raymond E. Brown, An Introduction to the New Testament (Doubleday, 1997).
  5. Margaret E. Thrall, A Critical and Exegetical Commentary on the Second Epistle to the Corinthians, ICC, 2 vols. (T&T Clark, 1994–2000) — examina as interpretações do espinho e a ocasião da carta.
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